CARTA Nº2 domingo, dia 25 de dezembro
o que eu tinha contigo mais ninguém neste mundo por vezes injusto tinha, o que se passava nesta nossa intimidade nunca ninguém teve, sabias que por vezes na invasão do teu amor sentia a falta daquilo que nunca me deste? pode ser ileal mas era assim que nos permanecíamos unidos, com todas as lágrimas que me trazias, enchias o meu coração de tristeza apenas, porque felicidade, essa coisa cujo significado não me diz nada, nunca a vi contigo, nunca a vi pores-a dentro de mim. ainda me pergunto porque te envio estas cartas, se elas nem sequer selo têm, se elas nem destinatário é possivel descobrir na imensidão do envelope guardado na minha gaveta de sete chaves, afinal porque raio perco o meu tempo a dedicá-lo a ti se nem as vais ler? doeu, não te nego que não fizeste feridas, o tempo que passou ainda não deu para sarar tudo, as lembranças que tenho tuas ainda são visiveis no meu corpo, na minha alma, na minha cabeça, no meu pensamento e nas minhas atitudes, mudas-te tudo em mim sem me perguntar, sem um único pedido de autorização e agora admiras-te que escreva coisas negativas sobre ti, tendo em conta aliás que tudo o que fizes-te enquanto estavas comigo foi isso, magoar-me, deitar-me abaixo quando nenhuma outra pessoa o tinha experimentado fazer, e tu, que nem sombra vejo deitaste-me tão fundo quanto uma alma pode ir, e não te arrependes sequer, nem um bocadinho que seja?
ficas já sabendo que tudo o que prejudicas-te está de volta perto de mim, seja com cola ou fita cola, esteja frágil ou não, está comigo e não no chão onde o deixas-te da última vez. sabes, nem tudo o que fizes-te é mau, afinal se não tivesse havido a tua presença em mim eu não seria assim, puramente feliz, terrivelmente assustada com a possibilidade que voltes. eu sou este ser que deixaste, rebelde, sem querer saber do mundo e apenas dela própria, sensivel e apaixonada por tudo, feliz nas vinte e três horas do dia deixando uma para me lembrar que longe de ti é o meu lugar. agora vai-te, talvez para outra pessoa, talvez para outro mundo, faz o que quiseres, porque para mim já nada realmente importa ♥

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