14 de julho de 2011

O último


dão cabo daquilo que sou com suas palavras acertadas na altura mais adequada, e destroiem com todas as forças a única coisa que sei fazer, quer dizer que afinal pensava que sabia fazer. quero acabar com a força que me faz sentir aquela sensação nos dedos e no corpo e que me inspira em pegar numa simples caneta e num simples bocado de papel e escrever, porque é aquilo que sou e tudo e todos têm como objectivo arrancar isso de mim. como podem arrancar duma pessoa aquilo que ela é? se querem saber, mais vale arrancarem duma vez, sem dó e piedade, ao menos não sofria com a magnitude das palavras de outros nas suas frases lindas e bem feitas, pois ao vê-las olho para aquilo que escrevo e penso, o quê? o que é isto? que porcaria estou para aqui a escrever? que ilusão é esta que vivo? e depois de me aperceber disso, o meu mundo desaba como a areia que está juntinha e que parece pedra e que basta um toque no sitio certo e um pouco de força que se desfaz e vira pó, mas eu não aprendo, porque depois de tantas conclusões que cheguei continuo a escrever, porque preciso, mas como é óbvio já ninguém lê, o que me custa imenso porque preciso que leiam isto, se não quem é que vai dar valor aquilo que sou, sim porque se escrevo e publico no meu blog para alguém ler, é porque quero que leiam e digam que é isto que sei fazer... ah é verdade, já não há ninguém, aquelas coisas que vivem juntamente comigo no planeta Terra criaram uma espécie de surdez, mudez e cegues só para mim, como sou especial hein.
no final deste texto, põe-se o fim de um periodo que me tornou mais feliz, não me arrependo de nenhum texto que fiz, mas envergonho-me deles, porque vivi numa ilusão que ninguém me acordou para ela, e eu continuava iludida letra após letra, acentuação atrás de acentuação. é a despedida de metade de mim, e de tudo e todos, porque vocês leram porque vos pedia, mas quando não o fazia ninguém se designou a preocupar a ir ver se tinha posto qualquer coisa, e não me fizeram ver que afinal isto que faço não é tão bom como pensava, por isso aqui fica, os meus últimos pensamentos, histórias, medos e sonhos transcritos de uma vozinha muito linda na minha cabeça para palavras enganadoras e feias que me tornaram numa ilusão, confiando num lado de mim que não existia e que agora, sai do meu corpo sem dó e piedade.
quem lamenta sou eu, pois estou a acabar as minhas palavras e começando um caminho desconhecido sem a parte em que eu era feliz, porque se existe felicidade em mim, ela está presente e visivel quando escrevia, sim, leram bem, escrevia. adeus amigas palavras até um dia, um dia em que eu aprenderei a usar-te bem e serei modelo para outros mas nunca vergonha para os verdadeiros escritores. fizeste-me feliz enquanto duras-te, mas foste apenas uma história, que numa linda noite de lua cheia , chegou ao fim.

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