25 de julho de 2011

familia perdida, ponto de fuga

                                                                 CAPITULO II
Passaram longos dias desde o dia em que o silêncio começou a governar aquela pequena casa no centro de Lisboa. A minha irmã pouco tinha mudado desde ai, também é pequenina não tem muita consciência do que aconteceu, mas eu, infelizmente não posso dizer o mesmo, em mim entrou a raiva, raiva que não consigo controlar por aquele individuo que tirou a vida á minha mãe. É verdade, não estou triste, não consigo nem posso por mim, pela minha irmã até pela minha mãe que nunca me gostou de ver assim. Hoje os dias parecem mais barulhentos, e ás vezes não consigo arranjar paciência para aturar as brincadeiras da minha irmã e os sons irritantes que ela faz, mas outras só ela é que melhora os meus dias, aqueles dias em que volto a sentir o gelo a percorrer o meu corpo, não o desejo a ninguém. Acordei com o som dos pássaros a invadir o meu quarto e os raios solares a expandirem sua luz contra as minhas paredes brancas, e, assim que abri os olhos pensei "Vai ser mais um dia, um dia igual aos outros monótonos", mas depressa a minha irmã troca os meus pensamentos e no seu ar muito feliz diz:
  -Mana, anda veste-te quero que me leves ao parque.
Levei as mãos á cara para despertar, e, de seguida vesti-me e fui até há cozinha, onde estava a minha avô - sim, porque depois do que tinha acontecido nunca mais vi o meu pai e fui morar com a minha avô na sua pequena casa no Marquês- a arrumar tudo com muito jeitinho como as avos fazem.
  Comi qualquer coisa para não ir em jejum, peguei nas chaves e no telemovel e fui com a minha pequena irmã ao parque. Podem não acreditar, mas soube-me tão bem aquela ida ao parque, ar fresco gente nova, sorrisos, felicidade.
  Enquanto a minha irmã brincava entre os escorregas, os baloiços os sobre e desce e a caixa de areia, eu estava sentada no banco a inspirar-me com os barulhos divertidos e com as cores da rua. Há muito tempo que não me divirtia assim, umas amigas minhas vieram ter comigo e aí sim foi o auge da minha diversão, consegui finalmente esquecer-me de tudo, a minha irmã vinha de vez em quando ter comigo só para dizer que estava bem e beber água, depois disso lá ia a correr ter com os seus amigos.
  Naquela tarde, um rapaz foi com a sua irmã ao parque, irmã essa que brincava com a minha, as minhas amigas lá se metiam comigo dizendo que ele estava a olhar para mim e que estava interessado mas eu não ligava grande coisa, já sei como são as coisas, no final da manhã quando estava na hora de ir embora, ele pegou na sua irmã e na Matilde e levou-a até mim, onde por momentos ficámos em silêncio profundo e os nossos olhares se cruzaram como duas peças do puzzle que se encaixam na perfeição.
 - Aqui está a Matilde - diz ele
 - Obrigada ... -
 - Miguel
 - Ah ok, desculpa eu sou a Filipa ! - exclamo eu com um ar envergonhado
 - Vens á tarde? - pergunta ele com um ar muito sorridente
 - Se ela quiser vir, claro que sim
 E de repente, a Matilde num sobressalto exlcama com um ar muito entusiasmado
 - Claro que sim mana!
 -Então se também vieres vemo-nos por aqui.
 - Estou cá a partir das 16:00H. - diz ele com um ar super contente
  -Está bem, então.
 Durante o caminho de ida para casa a Matilde não parou de me melgar com a história do Miguel, mas depois lá consegui mudar o assunto e pus-a a falar das coisas que tinha feito lá no parque. Chegámos rapidamente a casa e o almoço já estava posto em cima da mesa, foi só chegar lavar as mãos e comer a comidinha da avô que é excelente, depois de tudo comido fui para o sofá, onde de repente me apercebi que as horas estavam a custar a passar e eu estava ansiosa por estar com ele outra vez. Finalmente tinha chegado a hora, e só o soube porque a minha irmã de vez enquando serve de relógio e mal a minha avô lhe disse que eram 16:00h chegou-se ao pé de mim muito baixinho e disse:
 - Está na hora de ir ter com o Miguel
 E com essa frase veio um sorriso preencher a minha cara de uma maneira que nem eu sei explicar, então, levantei-me e peguei novamente nas chaves e na minha irmã, lá fomos nós outra vez em direcção ao parque. Assim que chegámos a minha irmã viu logo a Sofia, a irmã do Miguel, e foi a correr em direcçao dela, eu como não a tinha visto, voltei-me a sentar no mesmo banco e na mesma posição, não demorei muito a ficar sozinha, pois de repente uma voz chega-se ao meu ouvido, uma voz tão calma como a noite e doce como o mel:
 - Olá Filipa - disse essa voz
 Virei-me para trás para ver quem era, mas não estava lá ninguém, e, quando o meu olhar se dirige novamente para onde estava apercebi-me de quem era aquela voz, era dele, e no meio de um pequeno sorriso respondo.
 - Olá Miguel.
 E as horas iam passando e cada momento ia ficando mais lento, já itnhamos trocado números e partilhado carinhos, mas num súbito momento onde o meu olhar se perdia nos seus olhos verdes e ele se ria com as suas bochechas vermelhas os seus lábios iam-se aproximando dos meus e num segundo estavam juntos, os seus lábios eram suaves, as suas mãos eram quentes e seguras. Tudo voltou ao que era, quer dizer, nao exactamente, pois ninguem me podia cicatrizar  as marcas do passado, mas finalmente alguém me fez ansiar pelo dia seguinte, pelo futuro, alguém me fez querer sentir os pulmões a encher e sentir o coração a  bater, finalmente a felicidade regressou ao meu corpo e dali já não mais sairia.

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