18 de setembro de 2011

Dói, dói cada vez mais saber que te tratei assim, dói esta dor que me fizes-te desde o dia em que saiste da minha vida sem te preocupares com o que eu achava sobre isso. Viras-te costas a tudo e todos sem te preocupares comigo, que sinto a tua falta ainda, mesmo passado dois anos, enches os meus olhos azuis de lágrimas sem dó e piedade, enches o meu coração de culpa, fazes-me sentir a pior pessoa do mundo mesmo depois de tanto tempo, como é que me posso perdoar ? Como é que me podes perdoar? Preciso que mo dês, preciso que me faças isso para eu poder para de chorar, tudo o que eu tinha foi-se, tudo o que eu tomei certo até aquele dia desmoronou-se, e só tu e eu sabemos como mudei, como foi, só tu e eu sabemos e eu nunca te dei o valo, nunca nunca nunca, eras só mais uma pessoa na minha vida e agora és muito mais que isso, foste o único homem por quem chorei, o único homem que sabe até o mais podre que pode haver dentro de mim, não te preciso de contar, não preciso de estar nas últimas para saberes, não preciso nem de um A nem de um Z nem de todas as outras que se metem no meio, não preciso! Preciso só do teu toque de vez em quando, para me lembrar de tudo, para esquecer todos os problemas que a minha mente cria para me perturbar, e depois, depois vem o alivio mas a dor continua cá, preferia bater com a cabeça trezentas vezes seguidas do que te perder, foste a mais dura perda, e a única que continuo a sentir mesmo depois de dois anos, dois longos e diferentes anos, sabes tão bem quanto o mundo a importância que te tornas-te, sabes tão bem quanto o mundo que continuas a ser a única razão porque escrevo, continuas a ser o pontinho branco no fundo escuro rodeado pelo vasto azul dos meus olhos, acho que isso nunca vai mudar, e se acontecer essa devastadora mudança vais voltar a tocar-me, e a provocar me este choro que não termina, que é fácil de se confundir com saudade mas que na verdade é um abre-olhos, aí que dói!
Sou uma besta por isto, por tudo, por nada, eu sei que sou, afinal que espécie de pessoa que não dá tanto valor quando a pessoa é viva mas quando morre e deixamos de ver para sempre é que percebemos a sua importância, o quanto gostamos dessa pessoa, as lágrimas frias e dolorosas que me escorrem pelo rosto cada vez que me lembro disso fazem-me aperceber do quanto má fui contigo, perdão? Nem lata eu tenho para te pedir o meu perdão. Esconde-se entre mim tudo o resto que não importa a comparar contigo, esconde-se entre mim e os confis do sitio mais fundo da nossa vida junta os maus momentos, que foram bons mas que são maus porque eu deveria ter-te dado tudo e não te dei nada.
Acredita em mim pela última vez, acredita em mim quando digo que não preciso do mundo, não preciso da tecnologia nem da mais insignificante coisa, só preciso que tu voltes, só para eu mudar o que fui contigo, só para mudar um pouquinho a dor que sinto quando me lembro de ti, não é só saudade, é culpa, uma culpa que se instalou em mim há dois anos e que não se moveu nem um bocadinho, não ficou mais pequenina nem um bocadinho, continua igual, desde o dia em que deixas-te tudo para ires para aí, esse sitio que dizem ser melhor que a terra. Não posso mudar o passado, embora queira, não posso arrancar do meu peito a dor que me provocas-te, simplesmente te posso agradecer pores teres assumido um compromisso comigo, só te posso agradecer por todos os bons e maus momentos, só te posso agradecer por teres existido e me teres mostrado tanta coisa antes e depois do teu adeus, e só te posso homenagear duma forma, a mais certa, a que te distingue, a única forma, sendo como tu mas melhor, sendo tudo aquilo que me ensinas-te e mostras-te, seguindo à risca todas as lições de vida, sendo uma excelente pessoa como tu.
Três coisas nunca irão mudar, a minha saudade, a minha culpa e o meu amor, por isso te garanto que como tu tentarei ser, mas peço-te peço-te como sempre te pedi, como sabes que te pedi, ajuda-me, porque sem ti o meu corpo quebra-se as minhas esperanças expandem-se pela imensidão do vento e o meu coração quebra-se mais uma vez por ti. Obrigado.

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