12 de agosto de 2011

O tempo decidiu ultrapassar a minha massa corporal, e o bater do meu coração tornou-se como o tic tac do relógio.
  Fugi para aqui, porque aqui era longe, e eu precisava de estar longe, mas agora que estou longe desejo desesperadamente o perto, o teu perto, o mais perto que pode haver e que eu posso estar de ti. Nesta cidade onde decidi ficar para esquecer-me de ti, mas que agora desespero pelo dia que poderá vir e que eu poderei te ter, ou não.
 Não? Porque não? Pois, esqueci-me que depois de eu partir, tu partis-te, bem parece que partimos os dois para lados opostos do mundo. Será que te volto a ver? Sim, senão porque estaria a escrever isto, não sou nenhuma louca e se for, sei que a minha louquice me traz sabedoria, não traz? Ok eu paro com estas perguntas parvas e começo com as minhas declarações e frases detalhadas do meu amor por ti, se é que consigo.
  Lembras-te dos primeiros encontros? Dos segundos e dos terceiros? Lembras-te do último? Eu lembro-me deles todos como de todos os dias em que é certo levantar-me da cama e vir para o meio da cidade, porque a cidade tem muita gente, muitos homens que me fazem lembrar de ti. No outro dia, e foi mesmo no outro dia, olhei para um homem que tinha as mesmas expressões que tu, o mesmo estilo que tu, tudo nele me fazia lembrar de ti, daquele dia em que nos entregámos um ao outro sem haver amanhã, em que os nossos corpos se encostaram e sentimos todas as partes, onde passsámos a conhecer-nos melhor, agora sei, mas para quê saber? Entreguei-me a ti de corpo e alma e o que aconteceu? Nem sei, porque da última vez que te vi estavas sentado á minha frente usando a tua boca na tua despedida e no nosso último beijo. Vou-te contar detalhadamente não prometendo que no meio venha a palavra TU, porque tem de vir, porque não sei a razão do porquê ter de vir, mas tem, e se tem eu vou pô-la mas não me perguntes a razão do porquê ter de a pôr porque os porquês surgiram me agora no pensamento repentinamente e tal como tu eu não consigo simplesmente apagá-los.
  Depois de te virar costas naquele café em Lisboa, perdi o meu norte e ainda não o encontrei porque depois de muito entender e de muitas noites gastas no sitio onde estou eu entendi a razão de ter perdido o meu norte o sul o este e o oeste, para ser mais especifica perdi todos os pontos da rosa dos ventos. Fui para minha casa depois de me ter despedido de ti e em minha casa simplesmente me sentei no sofá liguei a televisão e fingi que prestei atenção, mas não prestei porque tinha te perdido e ainda não sei bem o quão importante foi na minha vida e é se foi importante. Não pensei muito no acto que tomei, mas tomei e agora não me arrependo apesar de querer sempre estar perto outra vez de ti de nós de tudo o que vivemos. Fui para bem longe e pouco demorei a lá chegar e a querer lá chegar e a tirar as minhas coisas de dentro fo guarda roupa para lá chegar. Sei que quando virei costas á minha cidade, e toquei pela primeira vez no chão desta mesma cidade em que me encontro agora senti, mas não quis admitir, mas como isto é para ti admito, admito que chorei, que a humidade chegou aos meus olhos e que me senti uma idiota, mas depois passou e quando passou apercebi-me de que isto foi só um descuido e que um dia, pelo menos eu aguardo isso, um dia espero que o dia em que tu voltas a olhar para mim e que eu volto a olhar para os teus lábios e que os nossos corpos se atraiem e se colam como dois imanes chegue. Enquanto isso vou-te contado, tudo o que aconteceu desde que aqui cheguei, que já faz alguns meses.
  Tive experiências fantásticas, e, outras que me fizeram pensar no real , naquele real que entre nós existia e que por vezes era só o nosso real, lembras-te?
  Antes de te conhecer ainda estava eu lúcida do que eu era do que era a minha vida, saia á noite com as minhas amigas e fazia tudo o que me apetecia sem ninguém a questionar-me, tinha a minha independência que agora fugiu de mim e foi para ao pé de ti, num sitio distante.
  Tinha passado algum tempo desde a altura em que te virei costas, naquele café em Lisbo, e os meus dias tinham mudado muito, agora o meu pouco é o tudo e o tudo é o pouco que me resta, então é isso que tenho. Decidi ir para a praia á noite onde tudo era sossegado e dava para desabafar com as estrelas e com o mar. Levei pouca coisa, apenas uma toalha caso me venha a loucura de mergulhar no mar ondulado da noite, uma mala que tinha pouco mas o essencial: a chave de casa, o telemóvel e o malboro gold. Nessa altura, nessa noite senti o cheiro do mar na minha pele e enquanto os meus pensamentos se enrolavam nas ondas frias do mar eu ia me sentido fria, pois o ar que me tocava era gelo que queimava mas que não doia.
  -Que está a fazer uma jovem tão linda aqui na praia e sozinha? -dizia um homem que se tinha sentado ao meu lado sem eu dar por isso.
  -Não sei. - e acabando de dizer isso acendi o malboro gold.
  -Dás-me um também?
  -Claro. - e remexi na mala para tirar um para aquele homem.
 Não sabia o que aquele homem quereria de mim e até tinha algum receio que aquilo acabasse mal, afinal quantas e quantas histórias havia naquela altura sobre moças violadas, assaltadas e mortas. Sabia que tinha de manter a distância mas deixei-me levar, a ver onde aquilo iria acabar.
 A conversa durou algum tempo e o meu malboro gold já estava quase a acabar.
  -Se eu te beijasse, darias-me uma chapada ou deixarias ficar? -perguntou ele com um ar calmo penetrando os seus olhos no meu olhar.
  - Experimenta! - respondi na esperança que acabasse ali e ele se fosse embora.
 Ele beijou, e eu beijei, e acabámos por beijar os dois e dar continuidade àquilo que não sei bem o que foi, mas sei que senti o corpo dele em cima do meu trocando calores e a chuva de meteoritos que em cima de nós acontecia.
 Acordei no dia seguinte, na mesma praia, ainda sem gente porque era muito cedo, olhei para o lado e vi o homem e junto a nós o meu maço já usado, depesdi-me mesmo não sabendo o porquê de o fazer, e saí dali, porque era o correcto. Cheguei a casa e fui tomar banho, queria que aquela àgua levasse com ela a culpa que governava o me corpo, afinal ainda não tinha passado muito tempo desde que tinha deixado, que abandonei os teus lábios e esqueci o teu rosto, e mesmo assim fui capaz de te fazer uma espécie de traição, sim porque eu já não te possuo e mesmo assim levava-te em mim. Que dor. Que loucura. Que bom.
 No fundo até soube bem, deixei me levar por outro homem e embora me trouxesse náuseas foi isto que aconteceu e agora te conto.
 O que estejas a pensar pode ser o correcto ou o errado, até pode ser o correcto e o errado daquilo que me tornei, mas foi isto que fui depois daquela tarde, depois daquela noite. Assumo total responsabilidade.
  Depois de lavar a culpa penetrante, a humidade voltou aos meus olhos e sim por culpa minha, mas também tua que desde aquele dia não me procuras-te e como não me procuras-te eu deixei-me ir, nos braços do outro, daquele, deste homem, o único homem que apareceu depois de ti e que me fez fechar os olhos e deixar tudo acontecer. Tal como tu, lembras-te? O modo em que me fizeste entregar, o modo que fazias parar os ponteiros do relógio, em que dirigias os nossos corpos, o modo seguro que me agarravas, só tu, isso é coisa que nenhum homem me poderá voltar a fazer sentir, só tu|
  Quando o dia depois daquela noite começou a entardecer e a humidade dos olhos começou a secar eu fui tomar a decisão, aquela decisão, a mais importante talvez, mas de certo aquela que poria fim a qualquer chance que eu teria de puder voltar a olhar-te nos olhos.
 A sorte é que a agência de viagens não era longe, apenas um quarteirão.
   -Boa tarde, o que deseja? - pergunta amavelmente a menina que estava de seviço.
   -Sim boa tarde, queria marcar uma viagem para o mais longe possivel e o mais rápido possivel.
   -Bem o mais rápido possivel que temos é amanhã, agora o mais longe possivel depende do que achar longe. - responde ela amavelmente .
  -O outro lado do mundo.
  -Bem, que tal, Alemanha?
  -Sim pode ser.
  -Então amanhã, Alemanha ... -e enquanto dizia isto punha todos os dados no computador e por fim deu-me o bilhete.
   -Tome, aqui tem.
    -Muito obrigado.
 Tinha felicidade dentro de mim.
 Fui para casa, fiz as malas pus tudo o que tinha, a casa era alugada por isso as chaves deixei-as com a porteira, mal dormi nesse noite, passei-a quase toda na varanda a olhar pela janela ara aquela Lisboa iluminada..
 No dia seguinte, que demorava a vir, arranjei-me e antes de ir para o aeroporto, bebi um café naquele café que te vi pela última vez. Isso era a única coisa que não poderia deixar de fazer. Depois disso então segui para o aeroporto, onde fiz o check-in e entrei no avião. Algumas horas depois aterrei, e, quando saí era tudo diferente, a lingua, a cultura, as vidas, tudo, e eu era uma perdida.
  Tive de arranjar casa, instalar-me, procurar um trabalho e só depois disso tudo é que tive tempo para pegar na caneta e no caderno e escrever enquanto a paisagem alemanhista passava entre o vidro do carro do táxi.
  Aprendi algumas palavras até agora, como dünk que é obrigado, ich liebe dih que em Portugal é adoro-te, für immer para sempre, schizer que até dá jeito para quando alguém nos chateia pois significa merda, hallo é olá e por fim leb die sekunde que agora para mim faz todo o sentido VIVE CADA SEGUNDO.
 Isto tudo para te mostrar que mudei, aprendi o que é viver de um ponto de vista diferente, aprendi a amar sem ainda ter amado ninguém depois de ti, aenas observando, aprendi a lidar comigo e a conhecer-me. É assim que eu agora sou e nada poderá mudar o que eu sou. Nem o teu regresso. Nem o meu.
 E agora passado estes meses estou aqui, nesta cidade alemã há noite, num café escrevendo esta história, a nossa história.
 Espero por ti, ou dalgum sinal teu. Espero. Quando vieres irás me encontrar ou saberás que aqui estive, neste café, nesta cidade, há noite. Saberás que foi aqui que me lembrei de ti que escrevi sobre ti.
 Aguardo pacificamente pelo dia em que vir ao longe brilhar algo mais brilhante que o Sol e algo mais doce que o chocolate, os teus olhos, os teus lábios, TU! E como Quitoroga dizia Inxalá que venhas, vivo.
  Inxalá que não te tenhas perdido e cometido tantos erros como eu, inxalá! Inxalá que me ames tal como eu te amo, tal como nos começámos a amar naquele café, em Lisboa iluminada!
 

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