CAPITULO IV
Era verão, novos sentimentos, expectativas e experiências, seria um verão diferente para a pequena grande Filipa.
Eu já não teria a minha mãe para me avisar que não podia ir para muito longe na àgua ou para me pôr e repôr o protector, agora, teria de ser eu a fazer isso com a minha irmã, e, ao mesmo tempo ser a filha mais velha que já tem namorado e que se quer divertir sem ter preocupações com isto ou aquilo. Eu sei que é dificil, mas também não posso deixar a minha irmã fechada em casa e eu aqui fora, livre a divertir-me, por isso decidi como vão ser as minhas férias com ou sem o Miguel. Liguei-lhe para saber a sua opinião que bem no fundo eu sabia que ia ser positiva mas não me queria iludir.
-É uma excelente ideia amor! - exclamou ele.
-Achas mesmo? Eu sei que é uma verdadeira treta o pessoal da nossa idade ter que ir à praia com as irmãs mais novas e com a ou o namorado/a ao mesmo tempo.
-Sim Filipa, tens razão, mas para mim é juntar o útil ao agradável.
-Vês amor? Tu és diferente. - disse eu com os olhos cheios de orgulho.
-É, aprendi com a minha namorada. - acrescentou ele.
No dia seguinte, bem cedo, acordei a minha irmã e enquanto eu lhe fazia o pequeno almoço ela vestia a roupa que já tinha posto aos pés da cama dela para vestir, depois, enquanto ela tomava o pequeno-almoço foi a minha vez de me arranjar e pôr na mala tudo o que iriamos precisar, desde toalhas ao protector, os brinquedos da Matilde e o meu caderno e a minha caneta caso o barulho da felicidade me inspirasse. Há hora combinada lá estava eu e a Matilde no banco da praceta à espera do Miguel e da sua irmã, enquanto a Matilde se entretinha a saltitar eu ia olhando para os toques suaves a baterem no chão que os pés pareciam fazer,lá chegaram, a rir-se e a divertir-se como duas pessoas puras e felizes.
Seguimos para a praia de autocarro e, em pouco tempo chegámos ao nosso destino, assim que sai uma brisa fez esvoaçar os meus cabelos e refrescar a minha cara, e a paisagem de pessoas a divertirem-se e das crianças a chorarem enquanto iam sendo arrastadas pelo familiar para longe da àgua, fez-me querer o ar, porque naquele momento ele faltou-me e eu, eu vi que estava desenquadrada daquele sitio, parecia uma manha no sitio errado do quadro do pintor.
Queria virar costas, mas quando o ia para fazer aquela mão quente que me costuma tocar quando preciso e quando me vai para beijar fez-me ficar e aguentar. Pusemos as nossas tralhas na areia aquecida pelo sol e logo logo ouvimos as tipicas frases das crianças que chegam à praia.
-Vá, vamos, despachem-se, queremos ir à àgua. - disseram elas em coro, parecendo que tinham ensaiado durante semanas.
Mas antes de dar-mos o sim, havia que encarar o papel de mãe e pôr o protector como a nossa mamã fazia.
-Agora sim, podem ir.
E lá arrancaram elas directo à àgua como se esperassem a vida toda por aquele momento. O Miguel foi com elas para a àgua enquanto eu, sentada na areia, observava todos os movimentos das outras pessoas, os mesmos que antes eu tinha com a minha familia, essa mesma familia que eu perdi, não sabendo agora o que é isso de familia. Sem esperar, vejo ao longe a correr na minha direcção o rapaz da minha vida, ele vinha a correr e sem perguntar, beijou e deitou o seu corpo molhado e frio em cima do meu, que estava quente do sol, caí para trás onde ficámos a namorar, até que a sua boca afasta-se da minha e os seus olhos na direcção dos meusfaz-nos ficar assim durante um tempo que ainda hoje não sei quanto foi, e ele, levanta-se sem nada a dizer, estica a mão para me levantar e segura com força, leva-me quase de arrasto para a àgua e quando começo a sentir o frio nos pés o meu corpo estica-se e eu a querer recuar, mas ele, mais uma vez não desiste de mim.
-Não vais a bem, vais a mal. - diz ele com um sorriso contagiante.
Depois dessa mesma frase, ele pega em mim e mergulhamos, numa água que deixou de ser fria e num sitio que deixou de trazer má memória. Quando viemos ao de cimo, somos empurrados por quatro mãos pequenas em tentativa de voltarmos para baixo de àgua, mas não tinham muita força, e sim é mesmo quem estão a pensar, a Matilde e a Carolina são duas pestes que tentam sempre pregar partidas, e que na maioria das vezes não conseguem.
Foi assim o dia todo, não podia ter pedido melhor, agora a praia já não metia medo, na verdade, era bastante tranquilizante estar ali. Fizemos castelos, bolas de areia, rolámos na areia até à àgua, tiramos fotografias e principalmente esquecemos.
Permanecemos naquela praia até quase o sol se pôr, porque eu precisava de ver o sol a ir-se embora com a certeza de voltar. Foi de facto, um dos melhores dias da minha vida, sem tirar nem pôr. A praia já não me intimida e, quando virei costas a ela tinha um pressentimento que ia voltar em breve, para sentir a paz que ela me dava.

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