Estava na praia e o sol estava a pôr-se o vento era inexistente e a água tinha a temperatura perfeita, e eu, andava por ali a fora simplesmente apreciando aquilo que se passava ao meu redor sem controlar, nem um segundo. Nesse mesmo caminho e desviando o meu olhar do horizonte olhei por breves momentos para o chão coberto com pequenos grãozinhos de areia com várias cores e formas, encontrei porém naquela paisagem de grãos de areia uma concha com cortes gravados em si e com tons cor de rosa em degradé.
Esta pequena concha foi pegada por mim e colocada no bolso, voltei a olhar para o horizonte e a seguir o meu caminho, o sol continuava a pôr-se e parecia que cada vez era mais depressa, num súbito pensamento voltei a lembrar-me da pequena concha que tinha colocado anteriormente no bolso e tirei-a, olhei para ela e pensei o que aquela concha poderia significar para mim, no inicio não me ocorreu nada mas assim que virei costas aquela praia na hora de ir embora tudo fez sentido. Pequena concha podia ser, mas eu, inocente jovem nela vi um grande caminho, a sua cor em degradé mostra a evolução pela qual passamos na vida, e os seus cortes na sua casca rija mostra os pequenos e grandes golpes que sofremos mesmo quando mostramos a parte forte que poderá existir dentro de nós. No entanto, é só uma concha que em tempos guardou dentro de si vida lá dentro e que agora com os seus cortes e a sua cor em degradé aguardava os últimos tempos da sua vida. Pobre concha, dentro de si guardou vida, e agora estava naquela praia a viver seus últimos momentos naquela areia, ao pé daquele mar, aquecendo-se com aquele sol, e eu, jovem humana com pouco dentro da cabeça, peguei nela e levei-a para longe, um sitio que não lhe pertencia estar.
Na verdade, não foi bem assim, quando me apercebi que aquela pobre concha estava longe do seu sitio, estava prestes a entrar no carro, e sem saber como virei-me para trás, olhei para a paisagem que aquela praia tinha naquele momento e olhei para a concha, corri apressadamente como se daquela corrida depende-se uma vida, voltei aquele exacto lugar, onde vi aquela pequena concha ... Agora, estavamos as duas felizes, ela porque voltou ao seu lugar e eu porque salvei uma concha de ser infeliz o resto da sua pequena vida. Afinal, não estava assim tão perdida como pensava e tanto ela como eu tinhamos encontrado o nosso lugar.
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