tudo muda, a todo a hora, todos os dias, objectivos, desejos, sonhos, ações e atos, tudo simplesmente muda, até o sol muda, de manhã sobe à tarde desce, com tudo o sol sabe que volta, assim como eu sei que apesar de por vezes doer, de por vezes ser bom, as coisas mudam.
não posso esperar que estejam comigo quando tudo muda, as vidas, as vontades, as crenças, não posso esperar que estejam comigo porque eu também mudo e nem sempre quero estar com alguém.
hoje, final da tarde, fui completamente sozinha mais a minha bicicleta ver o pôr do sol, algo que eu sempre gosto de ver, então sentei-me, à beira mar, não havia música nenhuma apenas a melodia das ondas a chapinharem, calmamente, e conforme isso acontecia o sol ia baixando, pouco a pouco e eu ali, apenas ali, sem qualquer tipo de pensamento, a ver o azul do céu com o branco das nuvens e essas duas cores contrastavam com o vermelho alaranjado e o amarelo brilhante do sol, paisagem bonita, mas eu porque estava ali a estragar aquilo tudo?
a verdade é que eu precisava daquilo para conseguir perceber aquilo que ando a sentir, aquilo que dói cá dentro mas que por algum motivo deixei de puder descrever nas minhas páginas brancas.
deixei de conseguir distinguir a minha felicidade por alguns momentos, deixei de sentir apenas, sabia que aquele vazio não poderia ser meu, então fui ver este pôr do sol, porquê?
ultimamente as coisas não têm sido fáceis, altos e baixos, e sem ninguém para apoiar nos baixos, apesar de as coisas mudarem, eu sempre fui a mesma, apesar de as coisas mudarem eu sempre estive aqui, às vezes mais outras menos, mas eu sempre fui como o sol, tive a certeza que voltava, e agora? agora apenas não volto para quem não vale a pena, o que infelizmente são muitos. as coisas mudaram, e eu não posso deixar de seguir em frente, porque apesar de as coisas mudarem, há sempre escolhas e soluções, e para muitos eu deixei de pertencer à lista.
por isso, para quê derramar lágrimas em vão e dedicar palavras a quem menos merece lê-las? nada, vou escrever, vou brilhar, vou gritar tudo o que me vem à cabeça da maneira mais bonita que consigo até as palavras me faltarem, ninguém me impedirá, nada me deterá, apenas ficará a magoa, daqueles que outrora considerei irmãos agora serem os desconhecidos no fundo da sala.

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