A realidade magoa, dói profundamente e deixa marcas por vezes incuráveis. As histórias, aquelas que encantam as crianças, e que as fazem adormecer na esperança de um sonho perfeito, são apenas isso, histórias, aquelas que desejamos mesmo depois de crescidos, que imploramos ao longo de toda a vida, e que forçamos profundamente a vir para a realidade miserável que vivemos. De que vale, tanto uma coisa como a outra? De que vale termos os pés na terra e nos deixarmos levar pelos sonhos de pequeninos? São apenas desabafos, são apenas perguntas que cada vez mais acho que é impossivel não ter resposta, afinal qual podia ser a resposta a isto, não existe, pelo menos para mim. Sou diferente, ou simplesmente a falta de dons faz de mim insignificante? Talvez.
Será que as desilusões podem ser piores do que aquilo que foram da última vez? Talvez, mas a isso chama-se realidade e não uma história infantil.
Diferenças? Tantas que é impossivel inumerá-las, mas há uma que nunca falha, e que está sempre presente seja qual for o contexto, ou os protagonistas, é que nas histórias mesmo que alguém se desiluda, o seu principe nunca a deixa, e vai a correr atrás dela aconteça o que acontecer e na realidade, nessa pura e cruel realidade existem os actos que consomem a alma de qualquer um, que os fazem esquecer de tudo o que aconteceu, como no simples toque do vento na leve folha. É assim que acontece, queiramos ou não, desejos? Ser protagonista da história infantil, verdade? Sou protagonista da minha própria história que não tem meio de se indireitar e que se limita a seguir os rumos do antónimo da felicidade. Normalmente, e segundo os que tenho cá em casa, trata-se de cerca de 50 páginas lidas em cinco minutos, e que no inicio é uma menina muito simples, conhece o seu principe, algo corre mal, mas, no fim ficam juntos, por favor, eu tenho um livro que é escrito há quinze anos, que não se lê em cinco minutos na sua maioria só tem coisas tristes, e ainda esperam que acredite no final feliz? Keep dreaming.
Tenho os pés demasiado acentes na terra, e demasiada noção da realidade para acreditar no inverso, e sim, dói, dói acordar todos os dias e saber que vai ser igual ao de ontem, e igual ao de amanhã, no entanto acordo, e sei, bem no fundo de mim, que haverá o dia em que provavelmente terei aquele dia em que o sol não brilha mais que eu, e que a noite não me esconde por detrás da sua escuridão, haverá esse dia não só nas histórias perfeitas lidas pelos pequenos adultos, mas sim na realidade vivida por esta grande criança, até lá, escreverei sobre a deprimência da mesma, assim como nalgum dia ela me sorria, assim como eu faço todos os dias quando acordo. Não vai ser por agora estar em baixo que vou deixar o que aprendi a construir, aliás, se repararam bem o meu discurso mudou, porque cada letra cura um pedaço da minha alma que se destrói a cada momento que alguém lhe toca sem se preocupar. Isto sou eu, na pura e crua verdade, despida de qualquer medo, vergonha, ou desilusão, tocada pela realidade, que deseja naquele fundo que tudo o que quer seja posto nessa mesma vertente. Seja lá quando for, como for, com quem for, esperarei exatamente igual, no mesmo sitio, da mesma maneira, pronta para o que vier e quem vier, serei assim, e só mudarei, quando achar necessário, até lá, façam vocês o trabalho, porque eu já me esforcei vezes de mais.
Boa noite.

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