Estou deitada sobre uma cama delorosa, que penso ser, não tenho a certeza se é ou não. Deixei de ter a certeza quando, a dor, o medo, a felicidade, a tristeza, o amor deixaram de me tocar! E eu, humilde mortal que está deitada sobre uma cama que faz doer, desculpe, que pensa que lhe faz doer, deixou de sentir! Você deixou de sentir? Acho que fui a única, fui?!
Dou umas gargalhadas, será loucura ou mente fria? Afinal, qual é a diferença?
Hum, pensando bem, estou numa cama dolorosa, deixei de sentir e encaro personagem de louca, ou será que também é mentira, ou será que é tudo verdade?
Pense, pense comigo, pensa? Por favor, peço-te.
Sei qual é a sua pergunta, se digo que estou nma cama dolorosa que nem sei se dói, porque é que continuo aqui! Acertei? Claro que acertei, mas agora pense lá um ouco, você consegue-se levantar sabendo que o que sente não sente? Que as coisas em que sempre acreditou, lutou e o fez continuar, você já não as sente? Pararam as gargalhadas, parou tudo porque eu parei, e começaram a escorrer goticulas de àgua dos meus perdidos loucos olhos!
E grita a minha alma, grita grita e grita sem parar um minuto para respirar ela manda um grito atrás de outro. Quer me ajudar? Até dava jeito! Beija a minha boca quando todos os olhos de quem costuma cuidar deixam de olhar, acaricia-me quando as palavras dos outros viram túneis sem fim! Consegues-te orgulhar de uma agarrada à cama que não sabe se sente nem qualquer dia se é pessoa?
Brilha brilha estrelinha, naquela escuridão nocturna do céu, brilha enquanto as outras dormem e guarda o meu segredo como ninguém. Intensa cada respiração, sê capaz de me segurar enquanto caio.
Quando é que me libertam? Não percebo porque me amarram a esta cama que provoca dor e que me torna como vocês humanos, que se dizem normais e que deixam de sentir! Cold people.
Se pensa que eu sou louca e você o normal, porque é que não pode ser ao contrário?
Dá-me um louco! Eu quer um louco que sinta tal como eu sentia até vocês me arrancarem a loucura, porque isso era o meu estado normal, a minha forma de vida, Felicidade para ser exacta.
As amarras doiem, isso eu sei, acho que isso todos sabemos, quer loucos quer normais, mas será que vocês sentem a dor de perder os sentimentos, ou para vocês isso é pura loucura? Aí que ironia!
Todos da vossa espécie normal falam da originalidade, de viver a vida intensamente mas já pararam um segundo que seja para ver com olhos de ver e reparar que vocês tiram isso às pessoas que sabem realmente o que é isso, nós loucos, aliás nós que somos de facto pessoas normais, somos originais, vivemos a vida intensamente porque sentimos, e damos valor a isso, ao contrário de vocês que são todos loucos loucos loucos!
Sabia que a cama já não dói? Sabia que as amarras já não me amarram, mas continuam no meu pulso? Ai doce sábia louca mente.
Ponha música, para o meu corpo dançar, assim está melhor!
***
Pára esta porra! Pára pára pára. Os meus olhos já não exprimem felicidade nem deitam goticulas de tristeza, agora estão cheios de raiva e o meu corpo é puxado para cima enquanto as minhas mãos e os meus és permanecem nesta cama que voltou a doer.
Acabou, deixe-me em paz, mas fique, quero continuar a contar isto!
Olha para mim, fixa esse teu olhar no meu de louca, e fica comigo, mesmo nunca te vendo e sempre te tratando por você, eu quero eu preciso que fiques comigo, só assim poderei voltar a sentir, e se eu conseguir sentir eu vou ser a louca que sempre quis ser, a louca que era antes disto.
Deitada continuo, louca sempre estarei, feliz já estive, perto de nunca nunca estarei, mas a tua voz no meu ouvido faz-me erguer a cada dia e eu mudei, de louca passei a extremamente louca, porque eu sou feliz, sendo louca!
Deste-me um pouco da tua felicidade, queres um pouco da minha loucura? Be always ironic. És o meu louco, não és? Se não fosses porque darias a tua felicidade a uma louca?
Mas não és, és um "cold" porque a tua felicidade dura pouco e a dos loucos não.
A cama deixou de ter o peso do meu corpo, agora a janela passou a ver-me e eu a ver através dela, se há coisa que eu e todos os outros loucos não somos é livres, porque somos impedidos de cheirar o ar que circula atrás deste muro, somos proibidos de sentir a real loucura dos não loucos, mas somos felizes, porque nos nossos hospicios todos somos iguais, e todos sabemos dar valor ao que sentimos e ao que somos, LOUCOS!

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